Amor ou Ciência. Por que temos que escolher?

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Amor ou Ciência?


Amor ou ciência, família ou carreira, comprar uma bicicleta ou casar. Essas opções sempre estão acompanhadas da conjunção “ou “ ao invés de “e”, principalmente, para nós mulheres. Essa semana em um dos episódios da série “Suits” foi mostrado que muitas empresas condicionam a promoção na carreira a mulheres que não possuem filhos. Eu achei isso tudo tão bizarro que pensei “pura ficção”. Mas, quando li uma matéria da Folha de São Paulo fiquei chocada e horrorizada com o fato de ser algo rotineiro, e se torna pior quando elas engravidam, e são demitidas após a licença maternidade de 5 meses. Isso foi tema de discussão em maio,  uma iniciativa da L'Óreal Brasil, chamada de Mãe e Cientista.
"A escolha de dedicação aos nossos filhos nos primeiros anos de vida tem um preço muito alto profissionalmente. Vivemos em um mundo de números e de valorização exagerada da “produtividade” (que, via de regra, se resume na Ciência à publicação de artigos científicos). Fernanda Staniscuaski, pesquisadora UFRGS 
Fonte: Para Mulheres na Ciência

Apesar de não ter filhos eu sei que escolher entre amor e ciência, como você pode perceber não é mais fácil do que as outras opções, porque carreira e família são os eixos norteadores para nós pesquisadoras. Não sei se você já viveu, ou está vivendo, essa sinuca de bico, mas vou contar um pouco da minha, quase, escolha. Há algum tempo {não sou tão velha assim} pensava que deveria fazer toda a minha carreira para depois pensar em ter uma família e brincar de casinha. E quando digo carreira me refiro a vida científica e acadêmica: ter vários títulos, publicações, viajar o mundo fazendo ciência, passar em concurso para professor universitária e só depois dessa jornada ter minha própria família. Você está nesse mesmo barco? Então leia o resto da história.

Até que uma amiga da época do estágio conversou comigo e desse diálogo a única coisa que eu me lembro é “Janine deve ser muito triste você ter todos esses títulos, conhecer o mundo e quando chegar em casa não ter ninguém para comemorar com você.” Na hora fiz a linha “I don´t care” mas fiquei pensando nisso por dias. Na época eu tinha um namorado de longa data, e ele sempre respeitou as minhas escolhas, e sabia que tinha todos esses planos e que não iria abrir mão por ele. Mas, um dia a gente ficou conversando e perguntei o por quê dele estar se organizando financeiramente {ele era recém-formado e foi contratado assim que terminou o curso} e ele me disse “Para quando você decidir ir embora eu ir com você.” Nesse mesmo dia decidimos nos casar.

Você deve estar pensando “que bonitinho” ou “você é doida!”. Eu diria que pensei as duas coisas. Ele realmente ia comigo para São Paulo, mas passou em um concurso público no mesmo mês {eu mesma fui ver o resultado}. Não pude deixar que ele não aceitasse, então atrasei meu sonho {pela primeira vez}. Não pense que foi fácil, não pense que não sofri ou que não chorei. Doeu muito! Hoje eu sei que não fiz uma escolha, apenas baguncei a ordem das opções. Às vezes idealizamos tanto a ordem cronológica do nosso futuro e esquecemos o propósito da vida. Do que adianta ter tantos títulos, dinheiro, trabalho dos sonhos e não ter alguém para compartilhar tudo isso?


Moral da história eu escolhi ter tudo: amor, família e carreira só não comprei ainda a bicicleta.

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J

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